O sono é vital para descansar, fortalecer o sistema imunológico, para a segregação do hormônio do crescimento e para a consolidação da memória. Já nos primeiros meses de vida é importante que os pais acostumem a criança a bons hábitos de sono.

Segundo Ian Paul, professor de pediatria e saúde pública na Faculdade de Medicina Penn State, nos Estados Unidos, “Dependendo da decisão dos pais logo no primeiro ano, ela pode gerar consequências a longo-prazo”.

As recomendações baseiam-se em diferentes razões, tanto a necessidade de recém-nascidos se alimentarem durante a noite quanto por questões de segurança.

Então, qual a melhor opção? De acordo com Paul, quando a criança tiver por volta dos seis meses de idade, os pais devem conversar com o pediatra e decidir o melhor momento. Isso porque do sexto mês em diante o bebê tem capacidade para dormir a noite inteira, sem que haja pausas para se alimentar. Os especialistas devem lembrar aos pais que decidirem transferir o berço para outras quartas simples regras de segurança, como remover almofadas, cobertores ou brinquedos que possam sufocar o bebê.

Para os pais que se recusam a adotar quartos diferentes após os seis mês de idade do bebê é importante mostrar que os dados não sustentam essa decisão, já que o risco de morte por morte súbita infantil, principal medo dos pais, declina após essa idade. “Devido a uma variedade de razões, a recomendação não faz sentido quando você considera todas as consequências adversas que ocorrem quando nem o bebê nem os pais dormem bem. Não faz bem para a criança, nem para a família.”, afirmou Paul.

Pequisa

O estudo procurou analisar os efeitos da rotina do sono em crianças pequenas. A equipe de pesquisa recrutou 249 famílias com primogênitos recém-nascidos e visitaram suas casas ao longo do crescimento dos bebês, quando tinham um, quatro, seis e nove meses de idade. Durante as visitas, os pesquisadores perguntaram detalhes acerca dos hábitos de sono das crianças, onde dormiam, por quanto tempo e quantas vezes acordavam durante a noite.

A Síndrome de morte súbita infantil

 Quando ocorre a morte inesperada e por razões desconhecidas de bebês, geralmente acontece durante o sono e o risco é maior em crianças menores de seis meses. No Brasil, a incidência da síndrome é baixa, afeta de 5 a 10 em cada 10.000 crianças nascidas. Ao dormir no mesmo cômodo que seus bebês, os pais podem melhor monitorá-los e perceber mudanças na respiração. No entanto, a melhor forma de prevenção é evitar que o bebê durma de bruços, priorizar a posição de barriga para cima.

O risco diminui depois dos seis meses de idade e outros fatores precisam ser levados em conta, segundo Paul. “Estudos que fizemos sobre a síndrome durante a pesquisa não mostraram diferenças entre os bebês que compartilhavam quarto com os pais e os que tinham quartos independentes, uma vez que tinham quatro meses de vida completos.”

Esperar demais para mudar a criança para seu próprio quarto pode aumentar a ansiedade sobre o sono e interrompê-lo ainda mais. De acordo com o especialista, manter o bebê próximo dos pais o tempo todo pode aumentar as chances de acidentes, visto que muitas vezes os pais colocam os filhos na própria cama para tranquilizá-los.

 

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