Varizes, companheiras indesejadas da gestação

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Ao engravidar, a mulher passa a perceber inúmeras mudanças no corpo. Algumas, porém, nem sempre são bem-vindas. As varizes certamente estão entre as indesejadas. Mas, como prevenir ou remediar este problema? Primeiramente, é preciso entender o que são as varizes. Segundo a médica especialista em Cirurgia Vascular, Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular, Dra. Clara Belle Manfroi Galinatti, varizes dos membros inferiores são veias superficiais dilatadas, alongadas e tortuosas que surgem quando, por algum motivo, o sangue que chega às pernas tem dificuldade para retornar ao coração. Consequentemente, ocorre congestionamento do sangue nestas veias, o que as torna mais volumosas e visíveis e pode causar sintomas como edema (inchaço) e desconforto nas pernas.  Existem, ainda, as telangiectasias, que são vasos sanguíneos muito finos (menores que 1 milímetro) e muito superficiais. “Diferentemente das veias varicosas, estes vasinhos dificilmente causam edema, mas podem causar dor e queimação, além da insatisfação estética”, explica. Ela salienta que é frequente a queixa de aparecimento ou aumento do número de vasinhos durante ou após a gestação.

Segundo a especialista, as varizes são causadas por múltiplos fatores, podendo-se citar, entre eles, história familiar (predisposição genética), idade avançada, obesidade, sedentarismo e tabagismo. As mulheres são as principais afetadas e o problema pode estar presente desde a puberdade. “Parte da explicação está no fato de os hormônios femininos, estrogênio e progesterona, influírem na dilatação  dos vasos sanguíneos”, indica.

O que causa estranheza em muitas mulheres que nunca viram suas pernas com as famosas manchas é que o fato ocorre durante a gestação. A médica explica que este é um período de adaptações no corpo feminino, por isso o surgimento das varizes é mais frequente, uma vez que ocorrem mudanças em diversos sistemas orgânicos. “As alterações venosas associadas à gestação ocorrem como consequência de fenômenos hormonais e mecânicos. No terceiro trimestre, o útero gravídico, aumentado de tamanho, comprime a veia cava inferior e as veias ilíacas, que são as principais vias de drenagem venosa dos membros inferiores, diminuindo o retorno de sangue venoso para o coração”, explica. Além disso, aponta Dra. Clara Belle, existem os fatores hormonais, que também desempenham importante papel. “Estudos demonstraram que em até 80% das gestantes as varizes começam a se desenvolver no primeiro trimestre, quando o útero ainda não está tão aumentado. A progesterona, hormônio circulante em níveis elevados na gestação, é responsável por parte destas alterações, pois tem efeito inibitório na contratilidade da musculatura da parede das veias, causando dilatação de pequenos vasos no tecido subcutâneo”, conta.

Estas alterações hormonais, explica, em conjunto com o aumento generalizado do volume sanguíneo circulante (para abastecer o metabolismo da mãe e do bebê) e a obstrução progressiva ao retorno venoso causada pelo aumento do útero,  resultam na formação de veias varicosas nas mulheres que já têm predisposição genética para o desenvolvimento de varizes. Porém, é importante ressaltar que a gestação não “causa” veias varicosas, mas pode acelerar o surgimento destas em pacientes com predisposição ao desenvolvimento de varizes. “As alterações venosas e as varizes “secundárias“ à gestação podem se tornar progressivamente piores ao longo da gravidez, e em muitos casos regredir no período pós-parto”, salienta a médica.

Formas de prevenir

Segundo a especialista, uma das principais medidas na prevenção de varizes é evitar fatores que aumentam o risco do problema – entre eles, o tabagismo, o uso frequente de sapatos com salto alto, o sobrepeso e o sedentarismo. “Durante a gestação, os fatores hormonais e mecânicos não podem ser evitados, mas existem outras medidas que podem minimizar a dilatação das veias superficiais e a reduzir o risco do surgimento de varizes. O uso de meias de compressão graduada, a popular meia elástica, é uma medida que pode auxiliar bastante no controle dos sintomas’, explica.

A realização de atividades físicas também é importante, diz a médica, já que ficar muito tempo parado, seja sentado ou em pé, dificulta o bombeamento do sangue de volta ao coração. “A realização de exercícios (que podem ser até mesmo pequenas caminhadas) permite a contração muscular da panturrilha, que funciona como uma espécie de “coração” na perna, comprimindo as veias e estimulando o retorno do sangue em direção ao coração”, reforça.

É caso para cirurgia?

A cirurgia de varizes pode ser recomendada nos casos em que o paciente tem sintomas de edema e dor a despeito do tratamento clinico, e nos casos em que haja desconforto estético significativo para a paciente, segundo a médica. “É importante lembrar que tratar varizes nem sempre significa que elas devem ser retiradas. Um entendimento entre o angiologista/cirurgião vascular e o paciente interessado vai pesar os prós e os contras para a indicação de um tratamento mais radical (seja ele por cirurgia, injeções esclerosantes ou técnicas de ablação por laser ou radiofrequência mais recentes)”, diz Dra. Clara Belle. Por outro lado, salienta, não se pode esquecer que esses tratamentos não prometem uma cura da doença varicosa, mas apenas uma retirada dos vasos mais doentes e aparentes, melhorando os sintomas e a apresentação estética.

Segundo a especialista, não existem evidências suficientes da segurança do tratamento invasivo de varizes durante a gestação; assim, de maneira geral a cirurgia e os demais procedimentos invasivos não são recomendados durante este periodo. Podem haver exceções, como no caso de sangramento de varizes ou outras complicações. Nestes casos, o ideal é que a paciente seja avaliada por um especialista em cirurgia vascular em conjunto com seu obstetra, para pesar os riscos e benefícios de uma intervenção. Após o nascimento, recomenda-se esperar no mínimo de 3 a 6 meses para a realização de procedimentos para tratamentos das varizes, pois pode haver regressão espontânea do quadro durante este periodo. Ainda, não há evidência da segurança do uso de substâncias como as utilizadas na escleroterapia durante a amamentação, o que contra-indica a realização de tais procedimentos durante a lactação, de acordo com a médica.

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