Salvando a vida das crianças

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Os acidentes de trânsito constituem uma das principais causas de morte e de invalidez em todo o mundo. Acredita-se que, a cada ano, em torno de 1,2 milhões de pessoas morrem e mais de 50 milhões ficam incapacitadas ou feridas como resultado de acidentes de trânsito. A esmagadora maioria das mortes acontece em países pobres. Economicamente, esta situação é um desastre para os governos, pois os custos do manejo dos traumatismos provocados no tráfego podem chegar a alcançar entre 1% e 3% do produto interno bruto. É uma enorme carga para os serviços de assistência médica, de previdência e para a economia em geral.

Se, por um lado, as colisões de trânsito são destrutivas para a Fazenda dos países, no âmbito pessoal, no interior de cada família, as tragédias são ainda mais devastadoras. A morte de um ente querido provoca uma dor dilacerante, que atinge não só os membros do núcleo familiar, como toda rede de parentes e de amigos. A perda acarreta um sofrimento inarrável e, invariavelmente, acaba em luto e em revolta. Diferente de certas doenças graves, os acidentes de trânsito são previsíveis. Quando alguém morre por conta de uma situação previsível, a inconformidade é ainda mais pronunciada.

As pessoas jovens são o público predileto dos acidentes de trânsito e suas consequências e, neste grupo, infelizmente, as crianças merecem posição de destaque. Para que diminuamos essa rotina desagradável, é fundamental que conheçamos e empreguemos estratégias consagradas para evitar dor e sofrimento. Além do controle de velocidade e de manter separados álcool e direção veicular, um dos recursos mais efetivos é a incorporação dos sistemas de retenção dos ocupantes dos veículos. Estes sistemas têm demonstrado alta capacidade de salvar vidas e de amenizar a gravidade dos ferimentos. São ferramentas de prevenção secundária, ou seja, não reduzem o risco de ocorrência de acidentes, mas quando o acidente ocorre, reduzem os danos provocados pelo choque aos passageiros.

Infelizmente, ainda nem todos os veículos são dotados de sistemas de retenção e, quando o são, nem todos os ocupantes os usam, menosprezando os riscos e achando que o percurso é curto e, por isso, não vale a pena o incômodo, o que, pelas pesquisas, é um ledo engano, pois o ocupante do automóvel não-contido se desloca na mesma velocidade a que estava submetido o veículo antes da colisão; quando esta ocorre, ele será projetado para frente, contra as estruturas rígidas internas do veículo, contra o assento dianteiro ou ejetado do mesmo. A expulsão do veículo aumenta dramaticamente a probabilidade de sofrer injúrias severas ou de morrer. Três em cada quatro passageiros ejetados acabam morrendo. Os sistemas de retenção evitam que ocorra a ejeção.

Para adultos, o principal sistema de retenção é o uso do cinto de segurança de três pontos. Para o público infantil, há outras opções mais apropriadas, pois os cintos não foram projetados para o peso e tamanho do corpo das crianças. Aliás, os cintos de segurança, quando usados em crianças pequenas podem até causar graves lesões abdominais ou torácicas. A vantagem do uso de um sistema apropriado é que, em caso de colisão, os sistemas reduzem o risco de contato, diminuem a força de impacto, quando do contato com o interior do veículo, e distribuem as forças do choque por uma área maior, no caso, as partes mais fortes do corpo. E impedem, é claro, a ejeção do veículo, protegem os outros ocupantes do choque entre humanos e reduzem a velocidade do ocupante e do veículo, na mesma medida, de tal forma, que a energia cinética é notavelmente reduzida.

O lugar mais seguro para transportar uma criança é no banco traseiro, usando um assento de retenção infantil homologado. A homologação pelo Inmetro é a garantia de que o aparelho foi inspecionado, testado e aprovado para uso. Para bebês, há assentos conversíveis, que podem ser usados também como cadeiras de segurança quando a criança vai crescendo. Para “babies” de até um ano de idade e 13 kg de peso, o assento deve ser colocado em posição contrária à marcha, ou seja, “de costas” para frente do carro.

Para crianças pequenas, o melhor tipo de retenção infantil é o assento de segurança, que deve ser usado até que o peso atinja os 18kg ou que a criança esteja muito grande para se adaptar à altura do encosto ou das alças. Em todas as crianças os cintos adicionais devem ser usados e afivelados, conforme a instrução do fabricante.

Os assentos de elevação são a melhor opção para pesos entre 15 e 25kg. Estes assentos devem ser usados até que os cintos de segurança do carro possam ser adaptados adequadamente, o que vai ocorrer quando a criança já tiver pelo menos 1m45cm de altura. Existem ainda assentos de elevação sem encosto, que devem ser usados para crianças de 22 a 36kg. Felizmente, alguns fabricantes produzem assentos com encosto (respaldo) que cobrem o grupo dos 15kg aos 36kg de forma uniforme. Assentos infantis com proteção frontal de plástico não tem boa capacidade de proteção e devem ser evitados. Os meninos e meninas maiores e mais pesados devem ser sentados no banco traseiro, usando o cinto de segurança de três pontos do veículo.

O melhor local para o assento infantil ser colocado é no banco traseiro, em posição central, bem no meio do banco usando o cinto de segurança do carro conectado ao assento. O airbag em frente ao assento infantil deve ser sempre desativado.

Utilizar assentos infantis pode ser um pouco dispendioso para as famílias e pode ser bastante “contramão”, especialmente para famílias numerosas ou somente para dar um passeio curto, mas todas as evidências nos levam a ter certeza que eles diminuem a mortalidade e o risco de nossos pequenos sofrerem injúrias. Além do que os desavisados são multados e têm pontos acrescidos à sua carteira de motorista, pois o transporte irregular de crianças nos carros é punido.

Victor Dubin Wainberg é médico perito do Detran-RS e consultor em Medicina de Tráfego e em Perícias Médicas.

Victor Dubin Wainberg é médico perito do Detran-RS e consultor em Medicina de Tráfego e em Perícias Médicas.

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