Reprodução assistida: aliada no sonho de engravidar

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O sonho de ter um filho nem sempre é tão fácil de ser realizado para muitos casais. A Organização Mundial de Saúde estima que a infertilidade atinja de 15% a 18% dos casais de todo o mundo. Infertilidade é a incapacidade de engravidar após um ano de relações sexuais regulares e sem uso de nenhum método anticoncepcional. Porém, este não é um problema sem solução.

Segundo o médico Dr. João Sabino da Cunha Filho, da Clínica Insemine, existem vários tratamentos que podem ser utilizados pelos casais, desde investigação da infertilidade e de aborto de repetição, avaliação seminal (espermatozóides), avaliação genética masculina, indução da ovulação e até a fertilização in vitro que é a retirada dos óvulos, a junção com o sêmen e a colocação de embriões já no útero da mulher. “Não existe o melhor tratamento, mas o mais indicado para cada caso”, reforça ele.

Pós-doutor em medicina na área de Reprodução Humana, o médico enfatiza que os casais devem procurar ajuda após um ano tentando, sem sucesso, engravidar. Para a maioria dos casais que está tentando engravidar, a probabilidade de ter uma gestação é cerca de 25%. No final do primeiro ano 85-90% dos casais irão conceber.

Muitas mulheres se perguntam se com a idade avançando diminuem as chances de engravidar. A dúvida tem fundamento, segundo o médico da clínica de reprodução assistida. “A idade influencia, especialmente nas mulheres. Elas nascem com número limitado de óvulos que somente irão diminuir com o tempo. A chance de uma mulher de 20 anos gestar por mês é de 40%; já com 40 anos cai para 15%”, informa.

Segundo ele, entre os problemas mais frequentes que impedem a gestação, 30% são de origem masculina, com redução na contagem e qualidade do sêmen. Da parte feminina existem três causas principais: ovários policísticos, endometriose e problemas nas trompas.

Uma dica importante: “aquelas mulheres com 30 anos ou mais que não têm a gestação num horizonte de 5 anos, podem pensar em congelar os óvulos, o que seria uma alternativa muito interessante”, sugere Dr. Sabino.

Principais técnicas 

Relação sexual programada – A mulher faz um tratamento com hormônios que estimulam a ovulação, como o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), e realiza exames de ultrassonografia, que observam o tamanho do Folículo de Graaf – uma espécie de bolsa que protege o óvulo enquanto ele se desenvolve. Quando ele atinge 19mm, a mulher toma uma injeção de HCG – hormônio que promove a maturação do óvulo e sua liberação – e deverá ter relações sexuais com o parceiro em 36 horas.

Inseminação artificial – Quando os espermatozoides têm dificuldade de locomoção ou o muco que protege a cavidade vaginal de invasores está em uma concentração acima do comum, as células masculinas morrem antes de chegar ao óvulo. Nesta situação, é recomendável o uso da inseminação artificial. O esperma é recolhido e passa por um tratamento. “No tratamento, fazemos uma filtragem, com os espermatozoides com formato e movimentação normal”, conta Dr. Bruno Scheffer, diretor clinico do Instituto Brasileiro de Reprodução Assistida. Eles são injetados no útero através de um cateter. Em alguns casos, o tratamento é acompanhado do uso dos hormônios FSH e LH. O uso destes hormônios pode aumentar as chances de se ter gêmeos em até 10%.

Fertilização in vitro – Durante um período de sete a dez dias, a mulher recebe doses de FSH e LH, para estimular a ovulação. Quando os folículos de Graaf chegam a um tamanho desejado de 19mm, uma agulha especial é inserida através da cavidade vaginal e realiza a aspiração dos óvulos.
Os óvulos são colocados em placas de vidro, junto de espermatozoides coletados uma hora antes e selecionados de acordo com seu formato e mobilidade. Um espermatozoide entra no óvulo, como aconteceria no corpo da mãe. Entre dois e cinco dias depois, os embriões são injetados no corpo da mãe.

Dr. João Sabino da Cunha Filho Médico Pós-doutor na área de Reprodução Humana CRM 20358

Dr. João Sabino da Cunha Filho
Médico
Pós-doutor na área de Reprodução Humana
CRM 20358

Fertilização in vitro com injeção de esperma

Quando a taxa de espermatozoides está abaixo de 1 milhão (quando o normal é de, pelo menos, 5 milhões), apenas 35% apresentam mobilidade normal ou apenas 5% de células tem o formato esperado, é recomendada a injeção intra citoplasmatica de espermatozoide (ICSI, na siga em inglês). Acontece uma seleção de espermatozoides. Quando o médico encontra um que tenha mobilidade e formato normais, o absorve com uma agulha muito fina. Logo depois, injeta o espermatozoide dentro do óvulo. O embrião é inserido no corpo da mãe da mesma forma que acontece na fertilização in vitro clássica. Fertilização in vitro simplificada. “Quando o casal tentou fazer a fertilização in vitro (FIV) comum e não deu certo, eles podem fazer a fertilização simplificada”, comenta Bruno. Enquanto o método comum se utiliza de injeções de hormônios para estimular a ovulação, a fertilização simplificada se utiliza de comprimidos. A quantidade de embriões recolhidos é menor. Enquanto a FIV clássica recolhe todos os óvulos disponíveis, a simplificada recolhe até quatro. A fertilização e implantação do embrião acontecem da mesma forma da clássica.

Doação de óvulo – Quando a mulher adia muito a gravidez ou seus ovários param de funcionar precocemente, ela pode se tornar infértil. O problema pode ser resolvido através da doação do óvulo. Uma doadora desconhecida cede seus óvulos a uma clínica e eles poderão ser fecundados para serem inseridos no corpo da receptora. A receptora toma hormônios que preparam seu corpo para receber o embrião, que foi fecundado no mesmo processo da fertilização in vitro clássico, com o sêmen do marido.

Doação de espermatozoide – Quando o homem tem ausência total de espermatozoides, o casal pode comprar uma amostra de sêmen em um banco de esperma. A fecundação pode ser realizada in vitro ou através de inseminação artificial, de acordo com a fertilidade da mulher.

Doação de útero – Quando o útero da mulher não tem condições de manter o embrião, o casal pode recorrer à chamada doação de útero. Acontece uma fertilização in vitro usando o óvulo da mãe e o espermatozoide do pai, e o embrião é implantado em um útero emprestado. Até recentemente, apenas parentes de primeio grau da mulher – isso é, sua mãe e sua irmã – poderiam fazer a gestação. Porém, a nova legislação permite que, além da mãe e irmã, primas e tias também doem o útero.

Diagnóstico pré-implantacional (PGD)

Quando o casal tem uma doença genética, os cientistas podem fazer um exame, procurando os embriões saudáveis. Dr. Bruno conta que acontece a fertilização de todos embriões e que é retirada uma célula de cada um, para uma análise de seus genes. Se estiver tudo bem, o embrião é injetado no corpo da mãe. Os embriões que apresentarem problemas genéticos não podem ser descartados. Eles são congelados e poderão ser usados no futuro para pesquisas.

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