O impedimento de amamentar – anseios e sentimentos

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Ao esperar um bebê, uma mãe vivencia muitas esperas. Criam-se diversas expectativas acerca de como é ser mãe, como será o bebê e como se dará essa nova relação que está prestes a se inaugurar. Qual será a cor dos seus olhinhos? Será cabeludo ou carequinha? Será que dará tudo certo na hora do parto? Conseguirei ser a mãe que desejo ser? Tudo isso faz parte do desejo. Desejar implica em se preocupar, fantasiar e sentir medo de que as coisas podem não sair como gostaríamos ou como planejamos. Isso nos permite criar alternativas e trilhar outros caminhos frente às dificuldades.

Mas e quanto a pergunta “será que vou conseguir amamentar”? Durante a gestação a mãe se informa sobre as questões práticas e sobre o processo de amamentar, faz curso na maternidade, tira dúvidas com o médico, troca ideias com as amigas e familiares, compra cadeira, soutien, almofada para amamentação e se imagina nesse lugar dando ao seu filho o alimento produzido por ela mesma. Porém, nem sempre tudo ocorre como planejado.

Todos sabemos da importância de amamentar no peito não só pelos benefícios para a saúde do bebê e da mãe, mas também por todas as questões psíquicas já comentadas no texto anterior (4a edição Baby’s Magazine). O Ministério da Saúde investe em campanhas que promovem a amamentação, recomendando que a mãe o faça, pelo menos, até os seis meses de idade. Algumas mães, gostariam de praticar a amamentação por livre demanda, que se trata de amamentar sempre que o bebê desejar e até quando ele desejar. Porém, as adversidades podem aparecer e impedir que esse processo transcorra da forma como a mãe tanto planejou e se preparou para que ocorresse. Muitos são os motivos que podem surgir e gerar esse impedimento, como por exemplo, as tão temidas fissuras.

Diversos são os sentimentos que podem surgir diante das dificuldades: desespero, tristeza, desânimo, culpa, fracasso, ansiedade, impotência e tantos outros que a mãe muitas vezes sequer consegue nomear e tem motivos para sentir-se assim. Dentro da barriga da mãe a satisfação era plena. Ao nascer, bebê e mamãe precisam aprender dentre tantas coisas, o mamar/amamentar. Embora seja um processo natural, amamentar não é instintivo e não depende só da mãe querer ou do bebê ter fome. Nenhum bebê nasce sabendo como fazer a famosa “pega”, que nada mais é do que abocanhar toda a aréola (contorno escuro do bico do seio) e sugar. Para que isso aconteça, muitas mães relatam que a dor é quase que inevitável.

Esse processo é muito singular e será diferente em cada dupla mãe e bebê. No caso da mãe realmente não conseguir amamentar parcialmente ou totalmente o bebê no seio, a frase popular “na vida tudo dá-se um jeito” cabe muito bem aqui. É importante que frente a essas dificuldades, a mãe possa esclarecer suas dúvidas com o médico e buscar ajuda especializada de uma consultora em amamentação. Descartadas as questões fisiológicas, pode ainda buscar ajuda profissional de um Psicólogo que a auxilie com o entendimento das suas angústias e todos os sentimentos que permeiam esse momento de dificuldade.

Muitas mães acabam ficando aflitas e impedidas de pensar em outros meios e formas de alimentar o seu filho ou fazem de tudo para evitar a mamadeira. Nesse caso, é necessário refletir que o mais importante não é o que ou onde o alimento chega, mas sim como ele chega. Um encontro para satisfazer qualquer necessidade de um recém-nascido será muito mais prazeroso e satisfatório para ambos, se quem vem atender está livre para dedicar seu amor e seu afeto unido a amamentação ou troca de fralda, por exemplo. Talvez o bebê se sinta muito mais confortável e satisfeito com uma mãe que traz o leite na mamadeira, mas o segura no colo com afeto, afaga suas mãozinhas e seu rostinho, olha nos seus olhos, está tranquila e transmitindo segurança, do que se deparar com uma mãe que está aflita, aos prantos, angustiada e impedida emocionalmente de entregar-se para aquele momento tão importante e especial.

Lembre-se que ser mãe é um constante aprendizado e você não é a única que passa por situações como estas. Converse com seu médico, divida e troque informações com suas amigas e busque ajuda especializada caso sinta necessidade. Um espaço privado de escuta analítica pode e certamente a ajudará a entender todos esses sentimentos que você está vivendo e descobrindo como mãe.

 

Cinthia Leuck Ortiz Cofferi

Psicóloga CRP: 07/22938

Psicanalista em formação pela Sigmund Freud Associação Psicanalítica

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