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Por Denise Milbradt

Foi só aos 42 anos de idade que a ginecologista obstétrica Adriana Arent realizou o sonho de ser mãe. Ela havia adiado os planos em prol da carreira e quando decidiu que chegara a hora, precisou recorrer à fertilização in vitro. Uma rotina, aliás, que ela como médica já estava acostumada a enfrentar com suas pacientes. Mas retardar a hora de ter o primeiro filho, principalmente após os 40 anos, pode cobrar um preço alto. “Sabia que com esta idade a chance de gravidez, mesmo em um tratamento de fertilização, é menor”, conta.

De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2003 e 2012 o número de mulheres que engravidou entre 40 e 44 anos passou de 53.016 para 62.371, um aumento de 17,6% de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Destas, 19% procuraram técnicas de reprodução assistida (RA).

Segundo a obstetra, quando retardam a gravidez, muitas mulheres se deparam com o aumento da infertilidade. E, infelizmente, estes tratamentos nem sempre conseguem compensar todos os efeitos provocados pelo declínio da fertilidade natural com a idade. Esses tratamentos também não diminuem o risco materno e os riscos fetais. “O ideal é não esperar muito e planejar a gravidez antes dos 37 anos, se possível”, defende Adriana.

De todos os acontecimentos fisiológicos da vida de uma mulher, a reprodução é a que se caracteriza por apresentar maior variabilidade na atividade funcional. O período reprodutivo feminino, que começa com a menarca e termina com a menopausa, diminui com o passar da idade, de forma mais marcada, a partir da quarta década de vida. A incidência de infertilidade involuntária aumenta de 4% aos 20-24 anos para 19% aos 35-39 anos e mais ainda a partir dos 40 anos.

O momento de investigar a infertilidade deve ser particularizado para cada casal. Todavia a idade feminina é um fator determinante para o início desta investigação. Desta forma, antes dos 30 anos deve-se aguardar o período de um ano de tentativas de gestação para iniciá-la; aos 35 após seis meses e aos 40 anos deve ser iniciada a qualquer momento.

Além disso, as gestações de mulheres com idade materna avançada são consideradas de alto risco, principalmente pela incidência de síndromes hipertensivas, maior ganho de peso, presença de obesidade, miomas, diabetes, aborto dentre outros. É por isso que mais recentemente, com o declínio da fecundidade das populações, a primeira gravidez em mulheres com idade mais elevada passou a constituir uma preocupação obstétrica.

Como a tendência em retardar a fertilidade continua, muitas mulheres se deparam com o aumento da infertilidade. É quando precisam recorrer a alguma técnica de Reprodução Assistida, que inclui nas opções a indução da ovulação associada à inseminação artificial intra-uterina, fertilização in vitro até doação de óvulos.

Em julho de 1978 com o nascimento de Louise Brown, em Oldham, Inglaterra, mudava para sempre a história da reprodução humana. O primeiro bebê de proveta veio à luz, tornando-se notícia em todo o mundo. Foi a comprovação de que era possível, sim, fertilizar óvulos fora do corpo humano. Desde o nascimento de Louise Brown, vivemos a época da tecnologia aplicada ao tratamento da infertilidade. Os procedimentos têm sido aperfeiçoados para melhorar os resultados de uma gravidez.

Complicações possíveis numa gravidez tardia

Aborto espontâneo – Em um grande estudo escandinavo, o risco calculado de aborto espontâneo foi 12% em pacientes com mais 30 anos; 15% entre 30 te 34 anos; 25% entre 35 e 39 anos; 51% entre 40 e 44 anos e 93% em pacientes com mais de 45 anos;

Gestação ectópica – Atualmente, representa 1,4% das gestações relatadas, e é a principal causa de morte materna. Seu risco aumenta com a idade, sendo mais elevada para mulheres entre 35 e 44 anos;

Hipertensão, diabetes e desordens placentárias – A hipertensão é a complicação mais frequente da gestação, dobrando as chances em mulheres acima de 35 anos. A incidência de pré-eclâmpsia na população obstétrica em geral é 3 a 4%, e aumenta para 5 a 10% em mulheres acima de 40 anos, podendo chegar a 35% em mulheres com mais de 50 anos. E a prevalência de placenta previa e descolamento prematura de placenta também é maior em gestantes com idade avançada;

Morbidade perinatal – Idade materna avançada é responsável pelo aumento de bebês nascidos com baixo peso e partos prematuros. No Brasil um estudo demonstrou que as mulheres com idade superior a 35 anos apresentam maior frequência de resultados perinatais adversos, quando comparadas com as mulheres com idade entre 20 e 34 anos. O mecanismo biológico que aumenta o risco de morte fetal com a idade materna avançada ainda é incerto, porém o efeito direto do envelhecimento materno existe.

 

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