Lipoaspiração após a gravidez – alerta para os cuidados

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Quando engravida, a mulher passa por transformações intensas, tanto mentalmente quanto fisicamente. O corpo muda, as formas se tornam mais arredondadas e muitas se perguntam se vão conseguir voltar à forma de antes da gravidez. E é neste momento que a ideia de um procedimento cirúrgico se desenha nos planos das novas mamães. Uma das técnicas que pode ser utilizada para buscar o corpo de antes da gestação é a lipoaspiração. O procedimento consiste na retirada de tecido gorduroso por meio de sucção, feita por orifícios de pequeno tamanho em locais estratégicos e de difícil percepção.

Porém, é preciso avaliar com cuidado o momento de se submeter ao procedimento. Conforme o cirurgião plástico Dr. Ricardo Lodeiro, os processos de recuperação corporal após o parto perduram por muitos meses e deixar a pressa passar por cima da biologia é sempre muito arriscado. “Mesmo após um parto normal e principalmente após parto cesáreo, os tecidos corporais passam por um reajuste não apenas de dimensões: um novo padrão nutricional entra no jogo”, diz. A impossibilidade de controlar esse balanço nutricional junto com os efeitos sobre a criança de medicações a serem usadas no contexto de uma lipoaspiração tornam o período inaceitável para uma cirurgia, alerta o médico. “Digo isso frente a um número expressivo de mães que me procuram desejosas de reajustarem seus corpos o mais rápido possível”, continua.

O momento para realizar uma cirurgia como essa será ideal quando o peso da mamãe estiver estabilizado, sem muitos altos e baixos. Variando muito de pessoa para pessoa, é preciso que a pele tenha já apresentado toda a sua retração possível, até mesmo para avaliar se a retirada de excessos precisará ser feita. “É fundamental respeitarmos os limites e prazos que a natureza nos apresenta para podermos tirar em plenitude os benefícios da ciência médica com o mínimo de riscos e dissabores”, enfatiza Dr. Lodeiro.

Por fim, ele indica que a consulta com um cirurgião plástico deverá ser plena de perguntas e respostas, e prover a paciente de orientações, muito mais que orçamentos. “Um profissional habilitado, membro da SBCP, possuirá condições de proporcionar o necessário para que o caminho seja trilhado com maestria, ética e segurança.”

De acordo com Dr.Lodeiro, a lipo pode ser feita com diversas modalidades de aparelhos: desde a clássica aspiração convencional, passando por vibrolipoaspiração, apuração ultra-sônica, a laser, entre outras. Segundo ele, nenhum aparelho demonstrou vantagens em termos de resultados sobre outro, embora os riscos sejam muito diferentes entre eles. “Há modalidades como lipoaspiração seca, úmida e super-úmida, entre outras técnicas correntes e aceitas e adaptadas a cada situação”, explica.

Porém, ele faz um importante alerta às interessadas no procedimento: “a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica pede que se tome cuidado para evitar o uso de nomenclaturas que podem maquiar a seriedade de procedimentos”, ressalta. Termos como “lipo-ligth”, “mini-lipo”, “hidro-lipo”, entre outros podem passar à paciente uma idéia de “cirurgia mais leve, menos arriscada”, diz o médico, muitas vezes idéias falsas de segurança e desimportância com os cuidados, e que são muitas vezes usados por profissionais não preparados para executarem tais procedimentos em clínicas ou pior, em seus consultórios sob anestesia local. “Para lembrar, os efeitos adversos de grandes doses de anestésicos locais incluem convulsões e arritmias cardíacas graves, entre outros”, ressalta.

Outra confusão feita com frequência acontece com a lipoescultura. Conforme Lodeiro, muitas vezes essa palavra é usada para tentar descrever marqueteiramente uma “lipoaspiraçào melhorada”, que “esculpe o corpo”. A lipoescultura consiste na reintrodução da gordura retirada de uma região em outra região do corpo, podendo ser usada para corrigir desigualdades, realçar contornos, etc. São utilizadas várias técnicas de preparo e infiltração da gordura e o uso para aumento de volume glúteo é uma das mais comuns entre elas.

PERDA DE PESO – Uma ideia muitas vezes difundida mas equivocada é que a lipoaspiração é utilizada para perda de peso. Lodeiro explica que a técnica consiste, sim, em retirar gordura. Mas ao ser feita buscando retirada de gorduras localizadas (por definição, são aquelas que não saem com a perda do peso), deve ser levado em conta que a simples subtração do volume precisará de uma contra-partida importante: o invólucro. A pele que continha a gordura retirada precisará ter capacidade de readaptar suas dimensões para conter o volume menor sem que haja sobra significativa (flacidez), que pode ser um resultado pior que o estado anterior, explica o cirurgião.

“Fazer uma lipoaspiração e ganhar peso após é um contrasenso fácil de se entender. Vemos com certa repetição pessoas que se submetem a essa cirurgia de forma repetida e voltam à falta de controle inicial com o peso, como quem diz “posso comer à vontade…qualquer coisa faço outra lipo” e esquecem (ou não são avisadas) dos riscos que essa atitude traz para a saúde”, alerta.

Mas fazer uma ‘lipo’ e perder peso após pode também contribuir para um resultado inadequado, pois o cirurgião plástico procura obter um melhor equilíbrio entre os contornos quando planeja e executa a lipoaspiração. E esse equilíbrio poder ser perdido, conforme for o emagrecimento da paciente. Dr.Lodeiro pondera que embora nunca deva ser uma prioridade absoluta, a atenção com a beleza corporal e a auto-estima fazem parte do dia-a-dia de muitas mulheres, que desejariam um retorno ao estado físico igual ou semelhante ao período pré-mãe. Nada melhor, então, que curtir o bebê e se preparar, de corpo e alma, para voltar ao corpo de antes!

Cirurgião Plástico Ricardo Lodeiro - Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)

Cirurgião Plástico Ricardo Lodeiro – Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)

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