multiplos
Promoção Mãe de Múltiplos: Porque você é especial
25 de julho de 2016
meningo
Meningo B, a vacina da dúvida
25 de julho de 2016
branca de neve projeto conto de fadas

Era uma vez… O início mais conhecido das histórias infantis é um convite para o encantamento, para o ingresso em uma terra mágica, que pode ser habitada por princesas ou por dragões. Independente do enredo, os contos de fadas fazem parte da infância – e é preciso que seja assim para o desenvolvimento das crianças.

“A literatura é muito importante na formação humana, não importando a idade”, acredita Maria Alice Gouvêa Campesato, 51 anos, professora e mestranda em Gestão Educacional. Para ela, que vivencia esse mundo das letras desde os 17 anos, a leitura dos contos de fadas, no que se refere às crianças, além de promover o desenvolvimento de habilidades linguísticas, oportuniza possibilidades de experiências que ultrapassam a própria linguagem, estimulando a imaginação, a criação e a fantasia. “A leitura de textos literários promove o prazer decorrente de experiências estéticas”, revela.

A educadora acredita que provocar o interesse e o prazer em ler textos literários nas crianças é um dos grandes desafios da contemporaneidade. “Acredito que o encantamento por esse tipo de texto vem, em primeiro lugar, da própria família: contar histórias, conversar sobre os personagens, os cenários, o enredo, é de fundamental importância”, diz. A presença da família na composição de um ambiente propício à leitura é extremamente importante.

Porém, ela destaca que as pessoas hoje, cada vez mais, não dispõem de muito tempo para tal empreendimento. Por isso, enfatiza, a importância da escola no processo de formação de leitores. “ A escola também tem papel crucial nesse sentido, pois a literatura também pode ser entendida sob o ponto de vista social, na medida em que o leitor tende a socializar suas ideias, compartilhando sensações e sentimentos com outros leitores; promovendo, dessa forma, o diálogo, a troca de experiências, a discussão acerca dos gostos e preferências. “Portanto, a parceria escola-família é cada vez mais importante no processo de desenvolvimento das crianças”, salienta.

Maria Alice diz não acreditar em fases para que a criança possa aprender algo, especialmente no que se refere à arte. “O importante não é “quando”, mas “como” introduzimos determinados tipos de textos e provocamos afetos, experiências”, aponta.

 

Viajando com os livros

Por acreditar na importância da leitura, Maria Alice criou um projeto pioneiro – e premiado! O projeto Viagens Literárias surgiu a partir do resultado de uma pesquisa realizada com alunos de 6º ano sobre hábitos de leitura, em que ela pode constatar que apenas 18% deles afirmaram que gostavam de ler. “Dessa forma, resolvi realizar atividades que sensibilizassem aqueles estudantes, promovendo observação e análise de imagens, apreciação de filmes e leituras de poemas. Também organizei, juntamente com os alunos, um varal de poesia em cada uma das duas salas de aula, onde expusemos textos de diversos autores, como Cecília Meireles e Carlos Drummond, por exemplo”, conta.

Os estudantes realizaram as leituras e análises desses textos, criaram as ilustrações e arrumaram os cartazes nos varais. Porém, lembra a professora, ainda lhes faltava um contato mais íntimo com os livros. “Assim, resolvi criar uma biblioteca itinerante: comprei uma mala de viagem e a enchi de livros, contendo poemas, contos, e outros gêneros textuais que pudessem ser lidos em um curto espaço de tempo, para que os alunos tivessem a oportunidade de ler em qualquer momento, quando tivessem terminado determinada atividade, ou em momentos específicos destinados à leitura”, afirma.

Depois disto, ela elaborou um cartaz para esse projeto, intitulado Viagem Literária, e criou o slogan: escolha um livro e embarque nessa aventura você também; procurando, dessa forma, estabelecer relação entre a mala e seu conteúdo – os livros – que possibilitam que os estudantes viajassem para diversos locais e tempos, vivendo aventuras sem sair fisicamente do lugar. Com esse projeto, Maria Alice conquistou o primeiro lugar no Prêmio RBS de Educação no ano de 2013, categoria escola pública. Ele desdobrou-se em outros na escola em que trabalha, a EMEF Nossa Senhora do Carmo, no bairro Restinga. “Desde esse projeto, a mala roxa me acompanha nas aulas”, conta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *