Em guerra contra o mosquito

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O  Brasil está em guerra. O inimigo mede poucos centímetros e voa. A batalha travada contra o Aedes aegypti envolve governo e sociedade. E no meio de uma enxurrada de notícias e informações por vezes desencontradas, ficam as dúvidas: qual a melhor forma de se prevenir neste momento? O mosquito da dengue transmite o zika vírus? O dermatologista Mauricio de Quadros, preceptor do Ambulatório de Dermatologia Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio de Porto Alegre, confirma que “ainda são muitas as dúvidas sobre o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue”. Segundo ele, o vírus pode ser encontrado no sêmen, leite materno e sangue, mas não há certeza se a transmissão da doença pode ser feita por estas vias.

O médico alerta que os principais riscos são para bebês em gestação: “o Ministério da Saúde confirmou a ligação entre zika e microcefalia quando transmitido pela mãe infectada ao feto no primeiro trimestre e o número de casos notificados não para de aumentar”, alerta. Para ele, a melhor forma de prevenção é o ataque direto ao mosquito: é preciso evitar contato com mosquito transmissor e eliminar focos de água parada, locais de reprodução do Aedes.

O repelente pode ser um aliado, segundo o médico. “O repelente forma uma nuvem de 4 centímetros de distância do corpo e liga-se a uma proteína da antena do mosquito, fazendo com que ele fique perdido e não se aproxime”, informa. Porém, salienta Quadros, eliminar criadouros é mais eficiente. “Os repelentes ajudam a evitar o contato com o Aedes, mas não devem ser a principal estratégia”, reforça.

A forma de passar o repelente também deve ser observada. Segundo o dermatologista, além de passar na pele, é importante passar spray sobre a roupa também, já que o mosquito pode passar por baixo da roupa através do tecido. “Se usar filtro solar, maquiagem ou hidratante, passe o repelente por cima”, ensina. Aos que optam por produtos caseiros, Mauricio de Quadros alerta: “é importante usar produtos autorizados pela Anvisa. Repelentes caseiros, como a mistura de cravo-da-índia com álcool, não têm comprovação garantida. Não basta apresentarem princípios ativos que afastam o mosquito, se não houver formulação adequada”.

 

Mitos e verdades!

O blog Invivo, da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) publicou recentemente uma série de mitos e verdades sobre o tema. Confira alguns:

Ar-condicionado e ventilador impedem picadas. A queda de temperatura e da umidade em um ambiente com ar-condicionado inibem a ação dos mosquitos e o ventilador os espanta. Entretanto, nos dois casos, só se evita o contato com os mosquitos. Eles não morrem.

Acender vela de andiroba afasta mosquitos. Afasta, mas não mata. E só funciona em ambientes fechados com até doze metros quadrados.

Existem pessoas que são contaminadas mas não desenvolvem os sintomas. É verdade. Existem casos em que pessoas contaminadas com o vírus não manifestam a dengue. Alguns estudos apontam que 40 a 50% das pessoas picadas não apresentam sinais ou desenvolvem os sintomas.

O mosquito não consegue atingir locais altos. Algumas pessoas que moram em andares altos de prédios acreditam estar longe do Aedes aegypti. Mas não estão. É mais incomum, porém já foram encontrados focos do mosquito em locais altos. Em um prédio, a proliferação de mosquitos deve ser motivo de preocupação para os moradores de todos os andares. Os mosquitos podem ser levados até dentro de elevadores. Em relação ao deslocamento do mosquito em áreas planas, já se sabe que ele pode voar até um quilômetro distante dos locais onde estão os seus ovos.

Colocar borra de café no pratinho das plantas evita que o mosquito se prolifere. Uma pesquisa da bióloga Alessandra Laranja, da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), observou que a presença da borra de café – pó que resta depois do café ser coado – em pratinhos de plantas, “copos” do interior de bromélias ou mesmo sobre a terra dos vasos impede que estes recipientes virem criadouros do mosquito. Segundo a bióloga, a borra impede que o mosquito chegue à sua fase adulta, pois intoxica a larva, que morre. Entretanto, a real eficácia da utilização da borra de café é contestada por vários pesquisadores.

O mosquito da dengue só pica no início do dia ou no fim da tarde. As primeiras horas da manhã e as últimas da tarde são as horas de maior atividade dos mosquitos. Entretanto, mesmo em outros horários, eles podem atacar à sombra, dentro ou fora de casa.

Fonte: Fiocruz

 

Outras dicas Importantes

  • Se usar filtro solar, maquiagem ou hidratante, passe o repelente por cima. Aplicar protetor e repelente ao mesmo tempo pode diminuir a eficácia da proteção.
  • Telas e mosquiteiros são boas medidas de proteção, pois afastam o mosquito.
  • Nos períodos do nascer e do pôr do sol as janelas devem ficar fechadas, o que reduz a entrada de muitos mosquitos.
  • A dedetização reduz a quantidade de mosquitos na casa.
  • Os repelentes elétricos diminuem a entrada dos mosquitos quando colocados próximos das janelas e portas.
  • Cuidado com os repelentes líquidos que podem ser retirados da tomada pela criança e acidentalmente ingeridos.
  • Pulseiras com citronela parecem ter uma baixa eficácia.
  • Suor excessivo e dias muito quentes podem encurtar a eficácia do repelente.

 

Como prevenir?

DENGUE – Ainda não existe vacina ou medicamentos contra dengue. Portanto, a única forma de prevenção é acabar com o mosquito, mantendo o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros. Roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, proporcionam alguma proteção às picadas e podem ser adotadas principalmente durante surtos. Repelentes e inseticidas também podem ser usados, seguindo aAs instruções do rótulo. Mosquiteiros proporcionam boa proteção pra aqueles que dormem durante o dia (por exemplo: bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos).

CHIKUNGUNYA – Assim como a dengue, é fundamental que as pessoas reforcem as medidas de eliminação dos criadouros de mosquitos nas suas casas e na vizinhança. Quando há notificação de caso suspeito, as Secretarias Municipais de Saúde devem adotar ações de eliminação de focos do mosquito nas áreas próximas à residência e ao local de atendimento dos pacientes. (Fonte: Ministério da Saúde)

 

Dr. Mauricio de Quadros

Cremers 25005

Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica

Preceptor do Ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de Porto Alegre e do Ambulatório de Dermatologia Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio de Porto Alegre

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