Dilema: abrir mão da carreira ou deixar o filho na creche?

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Children playing with musical toys. Isolated on white background

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Há um ditado que diz que quando o bebê nasce, também nasce uma mãe. E com esse duplo nascimento, a mulher encara um dilema sobre os rumos de sua vida e do seu pequeno: abandonar a carreira e ficar em casa com o bebê ou deixa-lo na creche tão logo a licença maternidade acabe? Há quem veja vantagens e desvantagens em cada uma das opções e, porque não dizer, nas duas.

Cristiane Oliveira e Joana Gabe depararam-se com essa questão quando Luísa e Alexandre nasceram. As decisões foram diferentes mas ambas hoje não se arrependem e curtem felizes seus filhos e sua escolhas.
Professora de Educação Infantil e formada em Pedagogia, Cristiane Almeida conta que a decisão de ficar em casa com Luísa foi tomada em conjunto, com o marido. “Na verdade ele sugeriu”, diz. Durante a gestação foram amadurecendo a ideia, colocando na balança os prós e os contras, o que teriam de abrir mão. Ela conta que já havia visitado todas as escolas perto do bairro onde mora, mas nenhuma a tinha agradado. “Estava frustrada. Não tinha gostado das escolinhas e como ficaria a amamentação, já que ela iria entrar com quatro meses?”, questionava-se.

Mesmo sabendo que sem o salário teria que abrir mão de muitas coisas materiais, Cristiane queria mesmo não perder os importantes primeiros anos da sua primeira filha. “Depois de muito conversar, decidimos que iria parar de trabalhar para dedicar-me 100% a Luísa. Quando estávamos certos disso, foi como tirar um caminhão das minhas costas, literalmente. Tamanho era o meu estresse de, possivelmente, ter que coloca-la na escola com todas aquelas situações mencionadas”, relata.

Cristiane conta que no início ela e o marido tinham decidido ficar um ano com a pequena em casa. Porém, o tempo foi passando, Luísa desenvolvendo-se plenamente, sem doenças, até que nova decisão foi tomada: “decidimos que ela irá para a escola só quando realmente precisar. Faz dois anos e quatro meses que ela está em casa, e ficarei mais até quando for necessário”, garante a mãe.

Decisão diferente foi tomada pela auxiliar administrativa Joana Gabe, mãe de Alexandre, hoje com três anos e meio. O fato de ser concursada, ou seja, ter estabilidade, e a demissão do marido logo após o término de sua licença maternidade pesaram na escolha de colocar o pequeno Alexandre em uma creche.
“A empresa em que trabalho tem convênio com várias escolinhas, onde não pagamos nenhuma mensalidade nem matrícula. Visitamos 10 das 15 escolinhas conveniadas, gostamos de três, e dessas escolhemos a que foi mais acolhedora no sentido de eu poder entrar livremente e poder ter um espaço para amamentar meu filho diariamente no meu horário de almoço”, relata Joana.

Passado o difícil período da adaptação, Joana vê os resultados da sociabilidade proporcionada por uma escolinha nos hábitos e jeitos do pequeno Alexandre. “Sempre vi o lado positivo das escolinhas no sentido de sociabilidade principalmente. Não queria que meu filho ficasse apegado somente na mamãe e no papai, assim como vejo várias crianças que choram ou fazem manha quando tem outras pessoas junto. Hoje meu filho é ‘bem dado’, como dizem por aí”, opina. Para ela, o convívio com outras crianças é fundamental principalmente para que a criança saiba dividir as coisas em geral, brinquedos, giz de cera e até a atenção do adulto responsável e dos coleguinhas.

E se Alexandre tiver um irmãozinho ou irmãzinha? “Faria a mesma coisa, ainda mais agora com um laço de confiança já criado com a escolinha”, garante. Cristiane igualmente não abre mão de ser mãe em tempo integral, caso tenha mais um bebê. “Faria isso tudo de novo? Quantas vezes fosse necessário, pois largaria tudo por qualquer filho”, enfatiza.

Dias difíceis

As dificuldades surgem em ambas as escolhas. Para Cristiane, a ocupação de mãe em tempo integral é “como estar numa montanha russa: cheia de altos e baixos. Há dias que as coisas estão indo bem e daqui a pouco parece que desanda tudo. Há dias que dá tudo errado e outros perfeitos. Amadurecemos, crescemos de uma forma que não imaginamos”. Joana conta que a adaptação foi difícil, mas mais para ela do que para o pequeno. “Tivemos uma adaptação de quatro dias. Ele com sete meses de vida foi super bem e tranquilo. Eu com 29 anos na época, chorei muito mais que ele e fiquei bem apreensiva”, relembra. Era a primeira “separação” da mamãe e do bebê. O apoio do marido durante todo o tempo foi fundamental. “Não foi nada fácil. No primeiro dia inteiro, eu ligava ao menos uma vez por dia para saber como ele estava, mesmo eu indo lá ao meio dia”, conta.

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