Diabetes: uma doença que merece atenção e cuidado

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Uma doença que vem crescendo nos últimos anos merece os olhos atentos de pais e mães: o diabetes. O endocrinologista pediátrico Dr. César Geremia alerta que a doença já pode ser considerada uma epidemia global. Mas não há motivos para pânico, apenas alerta e atenção, já que o diabetes pode ser identificado facilmente, graças a exames de sangue, e pode ser tratado.

O pediatra, que atua no Instituto da Criança com Diabetes (ICD), em Porto Alegre, informa que, de acordo com a International Diabetes Federation (IDF), existem hoje 412 milhões de pessoas no mundo com a doença e estima-se que haverá mais de 600 milhões no ano 2035. O Brasil possui, atualmente, 13 milhões de pessoas com diabetes e este número vem crescendo ano a ano. “O panorama é muito preocupante. E cabe um alerta: o Rio Grande do Sul é hoje o estado brasileiro campeão de sobrepeso, inclusive em crianças abaixo de cinco anos de idade”, informa. E o diabetes tipo 2, principalmente, mas também o do tipo 1 tem aumentado de forma assustadora nas últimas décadas. E segundo a mesma IDF, a cada 7 segundos, morre uma pessoa no mundo em decorrência do diabetes.

Os dois tipos mais comuns de diabetes são o tipo 1 e o tipo 2. O diabetes tipo 1, chamado antigamente de insulinodependente, predomina em crianças e tem como principal tratamento o uso da insulina. “Porém, nota-se que os casos desta doença estão aumentando no mundo todo e aparecendo cada vez mais cedo na vida das crianças. Há 20 anos era raro encontrar o diabetes tipo 1 em crianças muito pequenas”, diz.
O ICD assiste muitas dessas crianças que começaram o diabetes antes dos cinco anos de idade, sendo que o paciente mais jovem possuía 8 meses ao diagnóstico e ainda era amamentado ao seio materno, conforme relata Dr. Geremia. “Não se sabe ao certo porque o tipo 1 está aumentando dessa forma, talvez toxinas, vírus, deficiências vitamínicas ou muitos fatores juntos.”

Já o diabetes tipo 2, que era uma doença quase que exclusiva de adultos maiores de 40 anos, por estar relacionado ao sobrepeso, obesidade e sedentarismo, tem sido cada vez mais diagnosticado na adolescência ou mesmo antes. Esta forma de diabetes, diferentemente do tipo 1, é possível de ser prevenido na maioria das pessoas desde que se mantenha uma vida ativa e o peso adequado.

Dicas importantes aos pais para a prevenção do sobrepeso e do diabetes tipo 2:

– Limitar o tempo no celular, em notebooks, computadores, etc.: Crianças não devem passar mais do que três horas por dia em jogos ou computador. Pré-adolescente não deve passar de duas horas.

– Estimular hábitos ao ar livre e atividades esportivas regulares.

– Estimular alimentação saudável: É preciso priorizar uma alimentação rica em fibras, hortaliças e frutas. Estimular cada vez mais a água em detrimento de sucos e refrigerantes. Os sucos naturais devem se consumidos em pequena quantidade e não consumidos toda vez que a criança tem sede.

Dr. César Geremia Médico Endocrinologista Pediátrico CRM 17478/RS

Dr. César Geremia     Médico
Endocrinologista Pediátrico
CRM 17478/RS

Principais sintomas

 Diabetes tipo 1: É a forma mais grave, onde há falta total de insulina, não estando diretamente relacionado á obesidade. Trata-se de uma doença inflamatória, imunológica. Deve-se ficar atento à perda de peso relativamente rápida, muita sede, muita urina e aumento da fome.
Diabetes tipo 2 normalmente manifesta-se com sobrepeso acentuado, principalmente no meio da adolescência. Pais devem ficar atentos a áreas escuras no pescoço ou axila, a chamada acantose.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é simples, pode ser feito com uma medida da glicemia plasmática (taxa de açúcar no sangue):

-Jejum 8h: > 125mg/dl

-Não estando em jejum: > 200mg/dl.

(O resultado deve ser confirmado)

Saiba mais

Diabetes tipo 1

O diabetes tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta produtoras de insulina. O DM1 surge quando o organismo deixa de produzir insulina (ou produz apenas uma quantidade muito pequena). Quando isso acontece, é preciso tomar insulina para viver e se manter saudável.

Não se sabe ao certo por que as pessoas desenvolvem o DM1. Sabe-se que há casos em que algumas pessoas nascem com genes que as predispõem à doença. Mas outras têm os mesmos genes e não têm diabetes. Pode ser algo próprio do organismo, ou uma causa externa, como por exemplo, uma perda emocional. Ou também alguma agressão por determinados tipos de vírus como o coxsackie. Outro dado é que, no geral, é mais frequente em pessoas com menos de 35 anos, mas vale lembrar que ela pode surgir em qualquer idade.

Diabetes tipo 2

Sabe-se que o diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior do que no tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidência é maior após os 40 anos. O diabetes tipo 2 é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que o tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.

Fontes: Instituto da Criança com Diabetes. Norwood, Janet W. & Inlander, Charles B. Entendendo a Diabetes – Para educação do Paciente. Julio Louzada Publicações. São Paulo, 2000. Diabetes de A a Z: o que você precisa saber sobre diabetes explicado de maneira simples. American Diabetes Association. JSN editora. São Paulo, 1998

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