Como escolher a pessoa que vai ficar com o bebê

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24A volta ao trabalho, após a licença maternidade, envolve dúvidas, inseguranças mas, também, escolhas. Uma destas escolhas é se o bebê ficará em uma creche ou com babá. Para a psicóloga Alexandra Godoy, que atua com atendimentos a crianças, adolescentes, adultos e famílias, a decisão de deixar o filho aos cuidados de outra pessoa é muito importante e, por isso, os pais devem dedicar tempo para a escolha. Entrevistar pessoalmente todas as candidatas a babás antes de tomar uma decisão é primordial.

Segundo ela, o primeiro passo é pensar o que realmente é importante, eleger o que eles precisam e quais são as suas prioridades. “Por exemplo, a babá tem que ter noções de primeiros socorros? Qual formação escolar? Experiência anterior com bebês? É sempre bom ter alguns critérios predefinidos para se guiar ao começar sua busca. Durante as entrevista, valorize a iniciativa, se é carinhosa, a paciência, a vocação, maturidade e atitudes”, enfatiza a psicóloga.

Para Alexandra, a principal característica que a babá precisa ter é afetividade. “Observe, durante a entrevista, se a candidata sorri quando fala de crianças, se fala com carinho, se sente saudade daquelas que já cuidou e se ainda tem contato. Estes são indicativos muito positivos”, aponta. Outro ponto importante é o nível de escolaridade da candidata, uma vez que a babá escolhida participará da educação e desenvolvimento da criança.

A tranquilidade dos pais, depois de escolhida a profissional, contribui para uma melhor adaptação do bebê. “A adaptação é um período que precisamos nos acostumar com o novo, muitas mudanças acontecendo junto, por isso é preciso estar confiante na escolha feita, e esta, só virá com o tempo”, diz. Ela aconselha que, durante o período de adaptação, os pais, ou um deles, acompanhem e orientem a babá escolhida. Será possível perceber boa vontade, temperamento e comprometimento dela com o trabalho, além de ser um bom momento para formar vínculos.

Outra dica importante envolve o diálogo transparente entre todos. “Desde o princípio conversem abertamente sobre o que desejam que seja feito e o que é vetado, deixem tudo claro e observe como a babá responde às suas ponderações. É um momento de conhecimento para todos, por isso paciência e tempo para estar perto observando neste primeiro momento, trará tranquilidade para verificar se a babá está atendendo as expectativas”, enfatiza a psicóloga.

Os relatos de mães que optaram por deixar seus pequenos com babás mostram que a experiência pode ser extremamente benéfica para toda a família. A jornalista Ingrid Holsbach, 33 anos, conta que, ao engravidar, pretendia colocar Aurora em uma escolinha, em turno integral. “Porém, o tempo foi passando e comecei a achar que o turno integral não era adequado”, conta. Ao descobrir que, a filha é alérgica a proteína do leite de vaca e soja, a escolha por ter uma babá ganhou força. “Ela exige uma atenção especial com a alimentação e até comportamental – ela é mais sensível aos alimentos, podendo ter alergia a outros alimentos. Há pouco, por exemplo, descobrimos que ela também é alérgica ao melão”, relata.

A gerente de produto Larissa Guerra Prudente, 29 anos, aponta um sentimento comum às mães: “É muito difícil voltar a trabalhar.” Mas, para ela, ter a Dada (apelido que o seu filho deu e que “pegou”) na vida de todos da família ajudou muito nessa transição. Ela aponta outras questões que pesaram na hora de optar por uma babá. “Tem também a questão da imunidade. Quando eles são pequenos acabam pegando muita virose, principalmente na escola. Por último, o fato de não precisar tirar meu filho da cama tão cedo para ir para escola também pesou”, diz.

Mas nem sempre a primeira profissional escolhida é a que efetivamente fica com a família. “O Lorenzo teve três babás até que encontramos a atual”, conta a advogada Paula Strassburger Kuwer, 34 anos. Para ela, é  importante sempre contatar uma empresa de confiança que realiza esses serviços ou contratar via indicação de alguém conhecido. Antes da contratação, alguns itens foram verificados: “Fizemos a entrevista, checamos as referências e os outros locais de trabalho, bem como questões processuais cíveis e crimes para ter certeza da vida pregressa da pessoa que iria cuidar do meu filho”, relata ela.

A psicóloga Alexandra Godoy aponta que o fundamental é que os pais tenham paciência na definição. “Se não estiverem 100% confiantes, entrevistem outras babás, chequem as referências, precisam estar seguros e confiantes com a escolha. Se, finalizado o tempo que estipulou como de experiência, os pais não estiverem confortáveis com a escolha, sigam o instinto e procurem outra pessoa”, afirma.

A adaptação da família à babá e vice-versa é importante. Larissa contratou a babá Núbia enquanto ainda estava grávida do Victor Gabriel, hoje com 2 anos e 10 meses. “No início ela me ajudava somente na casa mesmo. Durante minha licença maternidade, ela acabou se envolvendo pouco com ele, até por que eu queria curtir meu bebê, mas a presença dela lá em casa era super importante para ir entendendo como eu gostava das coisas, o que eu queria em termos de rotina, alimentação… E também para ele se acostumar com a presença dela. Deu super certo, eles são muito apegados e acredito que muito em função de ela ter visto o Gabriel nascer”, relata.

Muitos pais optam por deixar o filho em uma creche em um turno e com a babá em outro. É o caso de Ingrid Holsbach. “Não me senti segura em deixá-la o dia todo na escola, com apenas quatro meses. Fiquei com pena, na verdade. Acho que é cansativo e estressante para os bebês”, diz. Mas ela frisa que considera importante o trabalho desenvolvido pela escola e o papel que esse espaço desempenha na vida do bebê. “Na minha opinião, o contato com outras crianças, a multidisciplinaridade, os estímulos e a questão da convivência em um ambiente diferente da própria casa, contribui muito para o desenvolvimento das crianças. A questão da socialização e da autonomia são muito trabalhadas nas escolas”, opina.

A advogada Paula também optou por ter babá e colocar Lorenzo numa escolinha. “Acredito que há uma mescla da responsabilidade e comprometimento no desenvolvimento da criança na escola e um tempo em casa, com atividades com outras pessoas e horários”, ressalta.

Paula dá uma dica importante: “é fundamental que a babá tenha uma boa índole, seja honesta e carinhosa, e que seu filho demonstre amor e afeto por essa pessoa. No momento em que a criança mudar o comportamento ou aparecer com marcas ou medos antes não existentes está na hora de trocar ou averiguar melhor a situação.”

 

Como lidar com a culpa?

Algumas mães sentem-se culpadas ao saírem para trabalhar e deixar seus filhos com uma pessoa desconhecida. Como amenizar esse sentimento? Com a palavra, a psicóloga Alexandra Godoy:

“Quando nasce um bebê, nasce uma mãe e com ela a culpa! Culpa se tiver que voltar ao trabalho, culpa se ficar 24 horas por dia com o bebê, culpa se o “xixi” passou na roupinha e ele ficou molhado, culpa porque não conseguiu amamentar, ou amamentou por mais de dois anos.. culpa, culpa, culpa. A culpa acompanha as mães, ela serve de norte para ajudar a avaliar se está agindo da forma que julgas correta. Ela é um sinal de que se é responsável por aquilo que fazemos com o outro. A culpa faz parte da vida de quem zela pelos filhos.

Mas como amenizar esse sentimento? Não existe fórmula mágica. Mas usar esse sentimento como um instrumento diário de reflexão pode ajudar. Ao menor sinal de culpa, pare, avalie a situação, confie em você, pois está tentando fazer o seu melhor!

Outra grande fonte de culpa é achar que pode dar conta de tudo e com perfeição, tem que ser sensível aos sinais de seu filho, garantir que a babá atenda a todos os comandos, manter o mesmo ritmo de produção no trabalho, estar linda, dormir e fazer exercícios feliz! Relaxe um pouco, não dá para fazer tudo.

Aproveite o tempo com seu filho, faça que ele seja de qualidade, reserve um tempo só para brincar. Ao final do expediente, antes de dar comida, banho e colocar para dormir, escolha brincadeiras simples que requeiram contato físico. Isso ajuda a diminuir a sensação de ausência e promove o vínculo.

Outra dica é dispensar a babá nos finais de semana, aproveite para brincar, dar banho, trocar fraldas, passear e reprender quando preciso! Os pais devem ser responsáveis pelos limites também.

O ideal para conseguir voltar à rotina de trabalho é confiar que a escolha feita foi a mais acertiva, isso exige tempo, paciência e muito amor. Para retomar a vida normal sem traumas, trabalhando, cuidando do filho e vivendo uma vida em família. Voltando a trabalhar, a mulher vai resgatar também a autoestima, aprenderá a se reorganizar e a retomar a rotina. Oferecendo qualidade nos momentos em que estiver com seu bebê.

 

Alexandra Godoy

Psicóloga – CRP 07/20459

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