Bebê prematuro: tudo que você precisa saber

vacina de gripe 1
Vacinação contra a gripe: saiba mais
24 de maio de 2016
contradengue
Em guerra contra o mosquito
24 de maio de 2016
prematuros_mdemulherabril

Um bebê é considerado prematuro quando nasce antes da conclusão da 37ª semana de gravidez. É preciso que os pais e a família que irá receber a criança estejam preparados para os cuidados iniciais que ela irá necessitar. O número de partos prematuros aumentou nas últimas décadas em virtude do melhor cuidado pré-natal com as gestantes e, graças ao avanço tecnológico na medicina, a infraestrutura é cada vez mais adequada para assisti-lo.

O nascimento prematuro ocorre em cerca de 11 a 13% das gestações no Brasil, segundo dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, o SUS e o Ministério da Saúde. Somente em 2012, foram 340 mil bebês prematuros, uma média de 40 por hora, o que coloca o país em 10º lugar no ranking mundial de prematuridade. As causas são variadas e podem ser maternas (pré-eclâmpsia, trabalho de parto prematuro, infecções) ou fetais (restrição de crescimento, sofrimento fetal).

A médica neonatologista Fernanda Rovaris explica que o ambiente na UTI neonatal é idealizado para propiciar o desenvolvimento fora do útero o mais semelhante possível àquele que seria vivenciado no ventre da mãe. As equipes de Unidades de Tratamento Intensivo Neonatal estão cada vez mais preocupadas não apenas em melhorar a sobrevida desses bebês, como também em proporcionar a qualidade de vida. “Medidas simples como diminuição de ruídos e luminosidade, além dos horários de “soninho” para o descanso são adotadas visando melhorar o dia-a-dia desses bebês”, conta.

 

DESENVOLVIMENTO

Segundo a especialista, o desenvolvimento neurológico depende, principalmente, da idade gestacional no nascimento (quanto menor ela for, maior o risco do recém-nascido) e das patologias que a criança apresenta durante a internação (como infecções, asfixia, hemorragia intraventricular, leucomalácia, convulsões, doença pulmonar crônica, entre outras).

Apesar do risco de incapacidades futuras ser elevado em prematuros, quando comparados à população em geral, a maioria não desenvolve nenhuma deficiência maior. “Assim como o desenvolvimento neurológico, as sequelas visuais e motoras podem existir ou não e variam de caso para caso”, pondera.

A permanência na UTI depende diretamente da idade gestacional no nascimento, peso e também das patologias apresentadas pelos recém-nascidos e presença ou não de complicações. Um prematuro extremo (24 semanas, por exemplo) pode ficar vários meses internado, enquanto prematuros tardios (34-37 semanas) geralmente apresentam internações mais rápidas.

 

VÍNCULO COM OS PAIS É ESSENCIAL

Os pais podem e devem visitar o recém-nascido durante toda a internação. “O elo entre os bebês e seus pais é estimulado pelos profissionais de saúde. O colo materno e paterno, por exemplo, é oferecido o mais cedo possível, muitas vezes quando ele ainda depende de aparelhos até para respirar. Esse vínculo afetivo e aporte emocional está diretamente associado com a melhor evolução de patologias apresentadas pelo bebê”, destaca Fernanda.

Ao levar um recém-nascido prematuro para casa, os pais devem ser alertados para cuidados especiais, uma vez que estes bebês possuem maior risco de infecções graves em função da baixa imunidade que ainda apresentam, mesmo estando aptos para alta. As orientações envolvem a limitação de visitas, higiene rigorosa de mãos, não frequentar locais com aglomerados de pessoas como festas, mercados e shoppings.

A neonatologista reforça que o acompanhamento psicológico dos pais é fundamental, pois a expectativa das famílias na chegada de um bebê “normal”, onde tudo ocorre da maneira planejada, será abalada. “No caso dos prematuros, esse desejo ideal não ocorre, os bebês nascem antes do tempo, muitas vezes com baixo peso, necessitam internação logo após o nascimento e não recebem alta com a mãe. A assistência para esses pais é muito importante para lidar da melhor forma com a nova situação”, aconselha.

 

COM AMOR E PACIÊNCIA, TUDO FICA BEM

André Fialla Mello, 27 anos, conta como foi o nascimento do filho Noah, hoje saudável e com 1 ano e 6 meses:

O Noah nasceu de 33 semanas por conta da bolsa rota, um rasgo na bolsa que o colocou em risco de infecção. Minha esposa, Camila, ficou uma semana no hospital antes da indução do parto. Noah ficou dez dias na UTI, fazendo fototerapia e um tratamento preventivo de antibióticos. Nós o visitávamos diariamente, e a Camilla passava o dia inteiro com ele. Ela amamentava sempre que possível, e ele recebia fórmula como complemento à noite. Estávamos sempre na UTI e fazíamos perguntas frequentes às enfermeiras e médicas para aprender o máximo possível sobre a situação.

Quando fomos para casa, o Noah teve refluxo por alguns meses, então cuidamos para que ele ficasse levantado por algum tempo após cada mamada. Evitamos lugares fechados e aglomerados por conta de uma bronquiolite que ele teve no primeiro mês de vida. Hoje ele está super bem! Bom desenvolvimento, falando várias palavras e entendendo várias frases. Sempre bem humorado, carinhoso e tranquilo. Apenas durante os primeiros meses de inverno ele teve algumas dificuldades respiratórias e precisou de medicação, o que pode ocorrer com qualquer criança, independente do nascimento.

Não buscamos apoio psicológico porque não tivemos tempo, mas acho poderia ter sido interessante. O conselho que dou para quem está recebendo um recém-nascido prematuro é que tenham muito amor, paciência e respeito ao tempo do bebê. Esta é uma experiência nova para as pais e para ele, mas com tempo e dedicação, tudo se ajeita!

 

MITO OU VERDADE

A mãe não pode segurar o bebê prematuro.

Mito – O colo materno, inclusive, é estimulado o mais precoce possível!

Ele é mais vulnerável a doenças.

Verdade – Principalmente as respiratórias.

O prematuro não pode ser amamentado.

Mito – O prematuro deve ser amamentado o quanto antes, dependendo da idade gestacional. Enquanto o bebê não tem condições de ir ao seio, o leite materno é ordenhado artificialmente e oferecido ao seu filho por meio de sonda. O leite materno apresenta muitos benefícios, como proteção imunológica, menor risco de infecções, aumento de QI, principalmente para o bebê prematuro.

Prematuros terão problemas para o resto da vida.

Mito – Os problemas/sequelas vão depender do grau de prematuridade e das patologias e complicações apresentadas por esta criança. Muitos bebês prematuros apresentam desenvolvimento normal e vivem uma vida igual à de bebês que nascem a termo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *