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A mama é preparada naturalmente para a amamentação: a aréola fica mais escura (resistente), aparecem ‘carocinhos’ nessa região que produzem uma oleosidade lubrificadora protegendo do atrito da boca do bebê.

 

Amamentar é umas das mais importantes etapas da maternidade. Porém, há muitas crenças, mitos e tabus em torno desse ato, que acaba prejudicando as mamães e, consequentemente, os bebês. Segundo o doutor Marcus Renato de Carvalho, pediatra e professor da UFRJ, especialista e consultor internacional em amamentação pelo IBCLC  (International Board Certified Lactation Consultant) e editor do portal www.aleitamento.com, a nutriz informada amamenta com prazer, sem culpas, por isso é tão importante conhecer os mitos e não cair em ciladas.

Em primeiro lugar, não existe leite fraco. Segundo Dr. Marcus, nem a mulher que tem peito pequeno produz menos leite. “Até a mãe desnutrida produz um leite de qualidade.”, afirma.

De acordo com o pediatra, o que estimula a produção do leite é a sucção do bebê. Não há alimentos galactagogos – que aumentam a produção de leite. “A nutriz receber apoio, carinho e estar confortável facilita a descida do leite também”, revela. Para ele, amamentar é um ato psicossomático complexo – o leite é produzido na mama e na cabeça.

A mulher que amamenta gasta 500 calorias por dia para produzir leite, por isso deve comer mais e melhor. “O ideal é que a nutriz ou lactante tenha uma alimentação saudável, natural, orgânica. Contudo, se ela está acostumada a tomar seu chimarrão,  por exemplo, deve continuar fazendo com moderação e não à noite – o excesso de cafeína pode atrapalhar o sono do bebê”, salienta o pediatra.

Outro grande mito em torno da amamentação é que o sol ajudaria a produzir mais leite. Segundo o especialista, o sol também não é indicado para “preparar” a mama ou “curar” fissuras mamilares. “A mama é preparada naturalmente para a amamentação: a aréola fica mais escura (resistente), aparecem ‘carocinhos’ nessa região que produzem uma oleosidade lubrificadora que protege do atrito da boca do lactente. Caso os mamilos estejam machucados, pode ser pela pega errada, ou seja, o lactente não está abocanhando toda a aréola. Talvez a mama precise ser um pouco esvaziada ou pode ser que a mama e a boca do bebê estejam com sapinho – monilíase”, exemplifica.

O estresse também é um fator que deve ser observado, dependendo como a mulher reage, pode prejudicar a amamentação. “Depende como a mulher reage e sua capacidade de resiliência. Dor, cansaço, baixa autoestima, falta de disponibilidade física e emocional podem fazer que não aconteça a descida do leite, que é mediada pela Ocitocina. Contudo, se ela sofre uma perda, mas é amparada, recebe apoio, tem desejo de continuar amamentando, a ejeção do leite é retomada”, explica Dr. Marcus.

vanessaA tradutora de espanhol e professora de Língua Portuguesa Vanessa Perius amamentou por 2 anos e 7 meses seu filho Henrique, que atualmente está com 4 anos. “Minha experiência foi maravilhosa. É um momento único, intenso e de muito amor. Recomendo e faria tudo de novo”, revela. Dentre os diversos benefícios ela revela que emagreceu até mais que esperava. “Engordei 9 quilos durante a gestação, e eliminei 15 Kg. É preciso levar em conta que, nos primeiros meses de nascimento do meu filho, enfrentei a perda de um ente querido, mas, mesmo assim, não tive problemas com a amamentação”, conta.

De acordo com a tradutora, amamentar é uma experiência particular e que, embora seja um ato de amor, não é único. “Acredito que as mães que não podem amamentar ou que têm o peito rejeitado pelo bebê não podem se culpar, pois a maternidade nos oportuniza viver e dar um amor que não cabe em nós”, finaliza.

 

 

Principais mitos

Principais mitos segundo o Dr. Marcus Renato de Carvalho, pediatra e professor da UFRJ, especialista e consultor internacional em amamentação pelo IBCLC  (International Board Certified Lactation Consultant) e editor do portal www.aleitamento.com:

Mito 1: Não dar o peito porque o recém-nascido está com icterícia (“amarelinho”).

Mito 2: Desmamar totalmente aos 7-9 meses por causa do nascimento dos dentes de leite.

Mito 3: Dar de mamar de 3/3 horas (sem livre demanda).

Mito 4: Não dar o peito se você trabalha ou estuda.

Mito 5 : Dar de mama quando estou nervosa ou estressada prejudica o bebê.

Mito 6: Não dar o peito se o bebê está com sobrepeso ou obeso.

Mito 7: “Leite dá leite”. Devo tomar mais leite de vaca para produzir mais leite materno.

Mito 8: Devo dar a chupeta e não deixar o bebê fazer a minha mama de chupeta (sucção não nutritiva ao seio).

Mito 9 : “Tamanho é documento”. Minhas mamas são pequenas e por isto tenho pouco leite.

Mito 10: Se eu ofereço o peito quando ele quer – o bebê ficará mal acostumado, manhoso…

Mito 11: Meu leite não o satisfaz, é aguado.

Mito 12: Minhas mamas já se esvaziaram porque ele mamou muito – não tenho mais leite.

Mito 13: Cuidado com o que você bebe ou come porque produzem gases ou cólicas no bebê.

Mito 14: Não amamentar se você está tomando antibiótico.

Mito 15: Não dar de mamar caso tenha mastite.

Mito 16: Não dar o peito se você está com anemia ou desnutrida.

Mito 17: O bebê arrotar no peito causa mastite.

Mito 18: Quanto mais água eu tomo, mais leite de peito eu produzo.

Mito 19: Tomar cerveja preta e canjica aumenta a produção de leite.

Mito 20: Não posso amamentar se estou grávida porque acelera o trabalho de parto.

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