A família aumentou. E agora?

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Gravidez e os cuidados com medicamentos
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Cilene Quiles - segundo filho

A chegada do segundo filho implica em várias questões: na adaptação da família ao novo integrante, no possível ciúme do mais velho, na rotina desregulada e no trabalho dobrado. Mas tudo isso é compensado ao ver o amor dos irmãos e as descobertas conjuntas. Alguns cuidados, porém podem ser tomados para qualificar ainda mais essa nova experiência.

Incluir o mais velho na decisão de ter mais um filho pode ser o primeiro passo. “Quando decidimos que teríamos um segundo filho, mesmo sem ter definido quando faríamos a ‘encomenda’, começamos a falar sobre o assunto”, conta a relações públicas Cátia Wittler,41 anos mãe de Frederico, 10 anos, e Nathália, de 3. Desta forma, segundo ela, o Frederico poderia ir se acostumando com a ideia. “Foram vários “e se…..” E se tu tivesse um irmão?, perguntávamos. Ele respondia rapidamente: “eu não quero”. E se o Papai do Céu nos mandasse, devolveríamos? Como seria? E aos poucos fomos fazendo ele entender que existia sim a possibilidade de ganhar um mano ou mana”, conta.

Claro que ocorreram momentos “tensos”, até porque o menino não expressava o desejo de ter um irmão ou irmã. A saída encontrada pelo casal foi apostar cada vez mais no diálogo. “Construíamos situações legais para que ele pudesse imaginar como seria bom ter um mano ou mana”, relata Cátia.

Situação parecida viveu a farmacêutica e professora universitária Rúbia Denise Ruppenthal, 38 anos, mãe do Arthur (4 anos e 9 meses) e Lucas (1 ano e 8 meses). “Preocupamo-nos logo em fazer as adaptações nos móveis que permitissem a passagem do Arthur do berço para a cama, como uma primeira medida para evitar que ele pensasse que o maninho estaria lhe tirando esse espaço tão importante”, conta ela. Arthur passou também a acompanhar o casal, sempre que possível, nas ecografias mensais. “Fazíamos questão de incluí-lo nesta alegria de ver o mano crescendo na barriga da mamãe. Também estimulávamos conversas com o maninho ainda na barriga, o que o Arthur fazia com muita frequência e de forma espontânea, me enchendo de beijinhos carinhosos”, lembra Rúbia.

O casal também preparou uma surpresa para o mais velho, que acabou marcando fortemente a chegada do mano menor. “No dia do nascimento, compramos previamente um brinquedo bem legal e desejado , dizendo que o Lucas o havia trazido da barriga da mamãe especialmente para ele. Foi uma festa!! Até hoje ele marca esse presente como o primeiro que o Lucas lhe deu”, recorda a farmacêutica.

Melhores amigos – Há quem diga que ter um irmão é ter um melhor amigo morando na mesma casa. Para Rúbia e Cátia, isso é vedadeiro. A farmacêutica conta que Lucas e Arthur estão se descobrindo progressivamente. “À medida que o Lucas começou a gatinhar, depois andar e agora já corre feliz pela casa, parece que o Arthur sentiu que ganhou um parceiro. Hoje eles estão muito apegados. Numa conversa que tive a alguns dias com o Arthur perguntei a ele: “-Filho, o que faz a tua vida feliz?”. Ele prontamente respondeu, sem titubear: “- O mano Lutas (na sua forma característica de trocar o “c” pelos “t”). Já o Luquinhas, por sua vez, externaliza o amor pelo mano quando chama por ele a toda hora quando eles estão separados”, conta Rúbia.

Cátia lembra que logo que Nathália nasceu, o irmão não quis chegar muito perto. À noite, voltou para ver a maninha, pediu para pegá-la no colo e, conta a mãe, “nunca mais largou”. Hoje, Frederico é o maior fã da mana. Ele vibra com cada carinha, cada gracinha que ela faz. “Eles se implicam, como todos os irmãos, mas brincam juntos e se curtem muito. O mano é um professor para ela. Aprende tudo e imita muito o irmão. Posso dizer que foi amor no primeiro colo”, emociona-se Cátia.

Você já deve ter ouvido aquela paródia que diz que o primeiro filho é de vidro, o segundo é de borracha e o terceiro é de aço. Ao se verem mães novamente, muitas reconhecem que quando foram mães de primeira viagem os cuidados, os medos, as neuras e as preocupações eram outras. “Isso não é boato. Para nós é fato!”, registra a farmacêutica Rúbia. Conforme ela, a segunda experiência faz a família rever, por exemplo, badulaques desnecessários, os protocolos rígidos de esterilização e limpeza. “Repensamos até a decisão de quando você deve ou não enfrentar as intermináveis filas das emergências pediátricas ou mediar a situação em casa e esperar por uma consulta de encaixe no pediatra deles. Tudo isso já vem formatado”, diz.

Cátia Wittler relata que em sua família também aconteceu exatamente assim. “Éramos muito cuidadosos, principalmente eu, como mãe. Era neurótica com a higiene da chupeta, mamadeiras, etc. Estava sempre lavando os brinquedos. Respeitava rigidamente todos os horários. A alimentação era feita na hora, sempre fresquinha. Com a chegada da Nathália, o que sempre escutei sobre “o segundo filho é o sobrevivente” foi comprovado”, sorri ela. Claro que a família não abriu mão dos cuidados com a pequena, mas ela salienta que o casal se tornou mais flexível. “Isso é fundamental. Com o segundo filho podemos curtir mais alguns momentos que com o primeiro eram mais tensos. Está sendo uma experiência gratificante. É cansativo, sim. Mas não me arrependo”, garante.

 

E quando não é planejado?

Nem sempre o segundo filho vem de forma organizada, planejada. O jeito, então, é se preparar, se adaptar. “A chegada do Lorenzo veio para dar uma balançada na rotina que já tínhamos, tudo certinho, tudo nos nossos horários…agora as mudanças estão fazendo com que a gente procure um jeito de conciliar as “novidades” com o ritmo que a família já tinha.” Quem conta é a compradora Cilene Quiles, 40 anos, mãe da Giovanna, de sete anos, e do pequeno Lorenzo, que recém completou seu primeiro mês de vida.

A preparação da Giovanna para receber o irmão não foi fácil, lembra Cilene. “Ela teve que ir dormir no seu próprio quarto, que até o momento servia só de quarto de brincadeiras, para quando o bebê chegasse ela não se sentisse excluída. Mas no fim deu tudo certo, depois do papai dormir uns dias na cama auxiliar, ela se saiu muito bem”, conta.

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