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adoção

Mil crianças acordam todos os dias no Rio Grande do Sul esperando por um pai ou uma mãe. Esperando por uma família, por um lar. Mil crianças esperam ser adotadas. O número consta do Cadastro Nacional de Adoção, um sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que reúne dados de crianças a serem adotadas e também de pretendentes à adoção. Conforme os dados, atualmente há 6.669 crianças esperando por pais no Brasil. Somente em Porto Alegre são 240.

Há anos os números de crianças à espera de uma família não diminuem. E a responsabilidade por isso nem sempre é da burocracia na hora da adoção. Uma questão que contribui para que meninos e meninas permaneçam em lares provisórios e abrigos é a preferência das pessoas por adotar bebês. À medida em que aumenta a idade, aumenta o número de crianças na fila.

A jornalista Queli Giuriatti e o marido Jeferson fugiram das estatísticas e decidiram não só adotar uma criança “mais velha”, como aumentar a família para valer, adotando dois irmãos. A história da família é cheia de risos e choros, emoção e alegria, e acima de tudo, amor. Muito amor.

Queli conta que o casal sempre quis adotar. “Mas a gente imaginava que teria um filho pelas vias naturais e o outro seria adotado”, relata. Após tentar engravidar por alguns anos, fizeram diversos exames e constaram que não havia nenhum sério impedimento. Porém, caso decidissem realmente engravidar, teriam que passar por uma série de tratamentos e pela fertilização ou inseminação. Eu não tinha vontade de passar por isso. A decisão, no entanto, foi outra: adotar. “Conversamos muito, como casal, e graças a Deus meu marido me apoiou, respeitou e passou por todo o processo de habilitação para a adoção de peito aberto”, lembra a jornalista.

No início do processo de adoção, o casal desejava, inicialmente, um bebê menor de 2 anos. “Mas o processo tem seu tempo e com o tempo vieram as conversas, o amadurecimento, o entendimento do que a gente queria de verdade e do que significava para nós exercitar a maternidade e a paternidade”, relembra. Este período serviu para que os dois vislumbrassem o que desejavam: uma criança até 3 anos e outra até 6 anos. “E foi uma excelente decisão”, garante Queli.

Se a ideia de optar por adotar uma criança com mais idade foi motivo de diversas “DRs” e discussões, uma decisão já estava consolidada para os dois: adotar irmãos. “Meu marido é filho único e sempre quis ter dois, e eu também queria ter mais de um’”, conta Queli. “Pesamos, pensamos e chegamos a conclusão que, se era para ser trabalheira, seria tudo de uma vez. E foi outra boa escolha. O vínculo que os manos têm, desde sempre e passando juntos pelo abrigamento, é lindo demais. E forte. Eles têm um senso de família muito lindo. Ontem eram apenas eles. Agora somos nós, todos juntos e misturados!”, conta.

O processo de adoção foi, como define Queli, “alucinantemente rápido!!!”.  Em dezembro de 2014 o casal foi informado que havia em Porto Alegre crianças dentro do perfil escolhido. Pouco tempo depois, conheceram a história de dois meninos, contada por uma psicóloga do Fórum. “Trouxemos para casa três fotos e uma papelada enorme, com o processo e o perfil psicológico deles. A gente ficou sabendo dos nomes e viu as carinhas. Foi lindo demais. Já eram tão nossos! Não dá pra explicar!, relembra Queli.

A partir daí, a nova família começou a se conhecer pessoalmente. Primeiro, os meninos foram avisados que tinham encontrado uma família. Eles receberam dois álbuns que Queli e Jeferson fizeram, reunindo fotos dos dois, dos gatos, dos vovôs e vovós, tios e tias e da casa. O próximo passo foi cheio de emoção: conhecer pessoalmente a duplinha. Queli lembra até do dia da semana que ocorreu o encontro: “Foi numa segunda. Foi mágico e tenso ao mesmo tempo, é claro. E naquela mesma semana, na quinta-feira, 29 de janeiro de 2015, véspera de feriado, eles já estavam com a gente.”

 

Uma dica de mãe

“Às pessoas que pensam hoje em adotar, eu sugiro que conversem com casais que já adotaram. É preciso sim estar preparado para tudo. Nem todas as histórias são fáceis. Eu mesma estou bem preparada – por exemplo, na adolescência, naquela fase crítica, eu dizia pra minha mãe que eu não pedi para ter nascido… imagina se não escutarei que não pedi para ser adotado? claro que vou escutar! – mas não sei quais os desafios que Deus vai me dar. O que importa é que tenhamos investido sempre nossos corações na nossa família, que é nosso porto seguro. E que esse amor que estamos depositando sobre eles seja contínuo e crescente. Eles precisarão desse amor a vida toda! Minha meta pessoal é que se tornem homens de bem, trabalhadores e que construam suas famílias. Não me importo com títulos, faculdades, nada disso. Se eles forem homens de bem, pra mim, terei cumprido minha meta. Se eles têm uma ferida, a do abandono, que nunca vai sarar? Ah, isso tem, e eu não posso querer resolver isso. Isso cabe a eles. Eu darei o amor e cada um deles vai ter de lidar com essa feridinha. Não existe isso de os filhos não terem sofrimento. Sofrer faz parte da vida. Todo mundo tem sua história e suas dores. E carregamos isso. Mas com amor, tudo fica mais leve”

 

Para conquistar o filho tão aguardado

1) Eu quero – Você decidiu adotar. Então, procure a Vara de Infância e Juventude do seu município e saiba quais documentos deve começar a juntar. A idade mínima para se habilitar à adoção é 18 anos, independentemente do estado civil, desde que seja respeitada a diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e a criança a ser acolhida. Os documentos que você deve providenciar: identidade; CPF; certidão de casamento ou nascimento; comprovante de residência; comprovante de rendimentos ou declaração equivalente; atestado ou declaração médica de sanidade física e mental; certidões cível e criminal.

2) Dê entrada! – Será preciso fazer uma petição – preparada por um defensor público ou advogado particular – para dar início ao processo de inscrição para adoção (no cartório da Vara de Infância). Só depois de aprovado, seu nome será habilitado a constar dos cadastros local e nacional de pretendentes à adoção.

3) Curso e Avaliação – O curso de preparação psicossocial e jurídica para adoção é obrigatório. Na 1ª Vara de Infância do DF, o curso tem duração de 2 meses, com aulas semanais. Após comprovada a participação no curso, o candidato é submetido à avaliação psicossocial com entrevistas e visita domiciliar feitas pela equipe técnica interprofissional. Algumas comarcas avaliam a situação socioeconômica e psicoemocional dos futuros pais adotivos apenas com as entrevistas e visitas. O resultado dessa avaliação será encaminhado ao Ministério Público e ao juiz da Vara de Infância.

4) Você pode – Pessoas solteiras, viúvas ou que vivem em união estável também podem adotar; a adoção por casais homoafetivos ainda não está estabelecida em lei, mas alguns juízes já deram decisões favoráveis.

5) Perfil – Durante a entrevista técnica, o pretendente descreverá o perfil da criança desejada. É possível escolher o sexo, a faixa etária, o estado de saúde, os irmãos… Quando a criança tem irmãos, a lei prevê que o grupo não seja separado.

6) Certificado de Habilitação – A partir do laudo da equipe técnica da Vara e do parecer emitido pelo Ministério Público, o juiz dará sua sentença. Com seu pedido acolhido, seu nome será inserido nos cadastros, válidos por dois anos em território nacional.

7) Aprovado – Você está automaticamente na fila de adoção do seu estado e agora aguardará até aparecer uma criança com o perfil compatível com o perfil fixado pelo pretendente durante a entrevista técnica, observada a cronologia da habilitação. Caso seu nome não seja aprovado, busque saber os motivos. Estilo de vida incompatível com criação de uma criança ou razões equivocadas (para aplacar a solidão; para superar a perda de um ente querido; superar crise conjugal, etc.) podem inviabilizar uma adoção. Você pode se adequar e começar o processo novamente.

8) Uma criança – A Vara de Infância vai avisá-lo que existe uma criança com o perfil compatível ao indicado por você. O histórico de vida da criança é apresentado ao adotante; se houver interesse, ambos são apresentados. A criança também será entrevistada após o encontro e dirá se quer ou não continuar com o processo. Durante esse estágio de convivência monitorado pela Justiça e pela equipe técnica, é permitido visitar o abrigo onde ela mora; dar pequenos passeios para que vocês se aproximem e se conheçam melhor. Esqueça a ideia de visitar um abrigo e escolher a partir daquelas crianças o seu filho. Essa prática já não é mais utilizada para evitar que as crianças se sintam como objetos em exposição, sem contar que a maioria delas não está disponível para adoção.

9) Conhecer o futuro filho – Se o relacionamento correr bem, a criança é liberada e o pretendente ajuizará a ação de adoção. Ao entrar com o processo, o pretendente receberá a guarda provisória, que terá validade até a conclusão do processo. Nesse momento, a criança passa a morar com a família. A equipe técnica continua fazendo visitas periódicas e apresentará uma avaliação conclusiva.

10) Uma nova Família! – O juiz profere a sentença de adoção e determina a lavratura do novo registro de nascimento, já com o sobrenome da nova família. Existe a possibilidade também de trocar o primeiro nome da criança. Nesse momento, a criança passa a ter todos os direitos de um filho biológico.

 

Fonte: Cadastro Nacional de Adoção – CNJ

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